Em telefonema com Trump, Sheinbaum rejeita a presença de tropas dos EUA no México
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse ao seu homólogo americano Donald Trump, nesta segunda-feira (12), que a presença de tropas dos Estados Unidos no México "não está em discussão", em meio a novas ameaças do magnata republicano sobre uma intervenção no país.
O telefonema ocorreu depois que Trump ameaçou, na quinta-feira, "atacar os cartéis de drogas no México por terra", após a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, em meio a bombardeios.
Durante a ligação, que Sheinbaum descreveu como respeitosa, Trump perguntou sua opinião sobre a deposição de Maduro.
"Eu disse a ele que esta é a nossa posição pública, que temos uma Constituição: que somos contra intervenções militares", relatou a presidente, acrescentando que não discutiram mais o assunto.
Resumindo a conversa em sua coletiva de imprensa habitual, a presidente reiterou que Trump sugeriu a presença de tropas americanas no México para combater os cartéis.
"Eu disse a ele: 'Não, isso não está em discussão, mas continuaremos colaborando dentro da estrutura da nossa soberania'", disse Sheinbaum, reiterando uma posição que já havia expressado em outras ocasiões.
Mais cedo, a presidente afirmou nas redes sociais que a conversa abordou "a segurança com respeito às nossas soberanias, a redução do tráfico de drogas, o comércio e os investimentos".
Sheinbaum explicou que solicitou a conversa depois que Trump ameaçou realizar ataques terrestres contra os cartéis, que, segundo ele, "controlam o México".
A presidente lembrou seu homólogo americano dos resultados alcançados na luta contra o tráfico de drogas.
"O fluxo de fentanil do México para os Estados Unidos foi reduzido em 50% (...). Até mesmo as mortes relacionadas ao fentanil nos Estados Unidos diminuíram em aproximadamente 43%", afirmou a presidente.
Ela pediu ao governo vizinho que controlasse o consumo e destacou a apreensão de laboratórios, a prisão de indivíduos ligados ao crime organizado e a redução dos homicídios no México.
A questão da segurança tem sido usada repetidamente por Trump para ameaçar impor tarifas ao México e interromper as negociações do tratado de livre comércio T-MEC, previstas para 2026.
Este acordo é crucial para a economia mexicana, que destina 80% de suas exportações aos Estados Unidos.
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