Caça-talentos vinculado a Epstein é encontrado morto na França
Daniel Siad, caça-talentos de modelos acusado de recrutar mulheres para o criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência nos arredores de Paris, uma morte que chocou nesta quarta-feira (22) suas denunciantes que exigiam justiça.
A Justiça francesa investigava esse homem de 69 anos após várias denúncias de mulheres, especialmente por estupro. Ele negava as acusações e afirmava que queria ser interrogado para apresentar sua versão dos fatos.
Siad foi encontrado morto na segunda-feira em sua casa em Colombes, e no mesmo dia, a Justiça abriu "uma investigação para determinar as causas da morte", indicou a promotoria, que confirmou informação do jornal Le Parisien.
"Morreu e era inocente", declarou à AFP sua advogada Menya Arab-Tigrine, para quem "se ele morreu de um infarto, essa espera [judicial] insuportável, a pressão e a angústia com as quais vivia diariamente devem ter tido alguma influência".
A primeira denúncia foi apresentada em fevereiro pela ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson. A mulher não conhecia sua identidade antes de reconhecê-lo nos arquivos desclassificados relacionados a Epstein, nos quais Daniel Siad é mencionado em mais de mil documentos.
Em sua denúncia, Karlsson acusa Siad de tê-la estuprado quando ela tinha 20 anos e, em seguida, de tê-la explorado sexualmente, apresentando-a a Gérald Marie, antigo diretor da prestigiosa agência de modelos Elite, a quem ela também acusava de tê-la estuprado. Ambos negaram as acusações.
"Estou chocada", disse Karlsson à AFP. "Daniel Siad estava prestes a ser detido. Trabalhamos tão duro para obter justiça e agora... É muito frustrante", acrescentou.
"Todas nós tínhamos medo de que o matassem para impedi-lo de falar sobre os outros criminosos... Espero que seja realizada uma investigação minuciosa sobre as circunstâncias de sua morte", afirmou.
-"Devastador"-
Karlsson e Lisa Brikworth — que acusa Marie de agressão sexual em 1998 — fundaram o coletivo "Victorious Angels - WE RISE", que há vários anos denuncia violências sexuais nesse meio e no entorno de Epstein.
Em 2019, Jeffrey Epstein, detido nos Estados Unidos por exploração sexual de menores, foi encontrado enforcado em sua cela.
Em 2022, o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, próximo de Epstein, também foi encontrado morto: ele se suicidou na prisão, após ter sido indiciado por estupros de menores e assédio sexual.
"É devastador que as sobreviventes do caso Brunel tenham sido primeiro privadas de justiça, e agora as do caso Siad", lamentou Brinkworth. "A polícia deveria tê-lo prendido" após as denúncias, acrescentou.
Seus advogados Colomba Grossi e William Bourdon denunciaram uma "falha grave" da Procuradoria de Paris, que "debocha das vítimas de crimes sexuais".
Após a morte de Brunel, as investigações foram encerradas sem que se aprofundassem em seu entorno, apesar de o nome de Siad ter aparecido no caso.
A divulgação, nos Estados Unidos, de milhares de arquivos pertencentes a Jeffrey Epstein as reativou, com a abertura, no início de 2026, de uma ampla investigação por parte da Procuradoria de Paris.
Siad representava uma pista valiosa, afirmou à AFP Juliette G., uma ex-modelo francesa de 43 anos que diz ter sido recrutada por ele em Paris para ser apresentada a Epstein em 2004.
Em junho, os investigadores a convocaram como testemunha para obter "informações complementares", contou à AFP. Mas, com sua morte, "desaparece mais um elo para esclarecer a história e encontrar os responsáveis", lamentou.
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