Peruanos votam em novo presidente, cansados da criminalidade e turbulência política
Peruanos votam para eleger novo presidente exaustos com o crime e a convulsão política
O Peru iniciou, neste domingo(12), a votação para eleger um novo presidente e parlamentares, em uma eleição sem precedentes que conta com 35 presidenciáveis, em meio a uma profunda crise política e a escalada da criminalidade.
O Peru, país com voto obrigatório, teve oito presidentes desde 2016, metade deles destituídos por um Congresso que concentra a rejeição da população.
Os peruanos já não confiam em seus políticos, a quem responsabilizam pela pior escalada criminal desde o conflito do Estado peruano com a guerrilha maoista Sendero Luminoso (1980-2000). Entre 2018 e 2025, os homicídios dobraram e as extorsões aumentaram oito vezes.
Nas filas de um centro de votação no popular distrito de San Martín de Porres, a comerciante Anita Medrano, de 60 anos, diz que não votará em nenhum político tradicional.
"Não votaria em ninguém. Estou tão decepcionada com todos os governantes", acrescenta à AFP a comerciante de roupas María Fernández, de 56 anos. "Só fomos governados por corruptos, ladrões e sem-vergonhas".
A onda de violência causada por extorsões e assassinatos, que coincide com a chegada de grupos criminosos estrangeiros que disputam espaço com os locais, é a principal preocupação dos peruanos.
Os principais candidatos prometeram combater a criminalidade com medidas radicais. Entre suas promessas estão o restabelecimento da pena de morte, prisões isoladas na Amazônia, condecorações a policiais que matem criminosos e a saída do país da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Em uma fila para votar, no distrito popular de San Martín de Porres, o engenheiro Carlos Altamirano, de 45 anos, ainda não decidiu em quem vai votar. "Não tenho expectativas porque temos tantos candidatos. Todos propõem, mas não sabem como" resolver os problemas, diz.
O país andino, de 34 milhões de habitantes, fechará as seções eleitorais às 17h (19h em Brasília).
- Sem opções -
Os eleitores "chegam muito incrédulos, muito inseguros, sem fé na política, sem reconhecer lideranças sólidas que orientem o voto", diz o sociólogo David Sulmont.
As preferências estão divididas entre sete pequenas candidaturas com chances de ir a um segundo turno. Nenhuma supera 15%.
Segundo pesquisas recentes, a direitista Keiko Fujimori lidera as preferências. Em entrevista à AFP na véspera da eleição, prometeu expulsões de migrantes em situação irregular, atrair investimentos americanos e se somar ao bloco de governos de direita da região que cresce com o apoio de Donald Trump.
Ela é seguida de perto pelo empresário centrista Ricardo Belmont, pelo outsider populista Carlos Álvarez, pelo ex-prefeito ultraconservador Rafael López Aliaga e pelos esquerdistas Roberto Sánchez, Alfonso López Chau e Jorge Nieto.
E qualquer um pode crescer. Em 2021, o esquerdista Pedro Castillo (2021-2022), que acabou vencendo a eleição presidencial, surpreendeu o país ao passar ao segundo turno, embora uma semana antes aparecesse em sétimo lugar nas pesquisas.
"Diante dessa incerteza (...), as pessoas estão decidindo na reta final", diz Sulmont, acrescentando que, desta vez, o percentual de indecisos "foi um dos mais altos" em comparação com eleições anteriores.
No domingo passado, ainda havia 16% de indecisos e outros 11% que pensavam em não votar em ninguém, segundo o Ipsos.
- "Desânimo" -
Os eleitores se depararão com uma cédula de 44 centímetros de comprimento, na qual também escolherão pela primeira vez desde 1990 deputados e senadores, já que o país restabelecerá em julho um Congresso bicameral.
Segundo um relatório da rádio RPP, pelo menos 252 candidatos a todos os cargos em disputa têm condenações penais.
Para o analista David Sulmont, "há uma grande desconexão entre a oferta política e as expectativas das pessoas". "Nenhuma das candidaturas desperta grande entusiasmo", diz.
"Foi uma campanha mais superficial, mais emotiva, mais movida por impulsos" do que por programas, comenta Luis Benavente, especialista em opinião pública. Segundo ele, a sensação geral é de "desânimo".
Concentrados na segurança, durante três meses os principais candidatos quase não falaram de reforma política nem de direitos humanos, explica, e tampouco houve "propostas claras" para impulsionar a produção do país e reduzir a alta informalidade no mercado de trabalho, de 70%.
"Não há esperança, com tantas coisas que aconteceram. Não tenho candidato", diz Luis Peña, um engraxate de 55 anos decepcionado.
Mais de 90% dos peruanos têm "pouca" ou "nenhuma confiança" em seu governo e em seu Congresso, o número mais alto da América Latina, segundo a pesquisa regional Latinobarómetro.
Mas, apesar de seus problemas, o Peru se destaca como uma das economias mais estáveis da região, com exportações minerais pujantes e a menor inflação, de 1,5%.
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