Islândia decide em referendo se retoma negociações de adesão à UE
Os islandeses decidirão neste sábado (29), em um referendo acirrado, se retomam ou não as negociações de adesão à União Europeia. A votação é acompanhada de perto por Bruxelas e influenciada pelas mudanças geopolíticas na região.
O país, com apenas 400 mil habitantes, solicitou a adesão à UE após a crise financeira de 2009, que devastou sua economia. No entanto, as negociações foram suspensas em 2013 com a ascensão ao poder de um governo eurocético.
Cerca de 273 mil eleitores responderão à pergunta: "A Islândia deve retomar as negociações de adesão à União Europeia?"
Mais de uma década depois, espera-se um resultado muito apertado. As últimas pesquisas de opinião mostram um empate técnico entre as opções "Sim" e "Não".
Caso o "Sim" vença, um acordo de adesão terá que ser negociado com Bruxelas e, posteriormente, aprovado em um novo referendo.
A pesca, que representa quase 40% das suas exportações, é apontada como um dos principais pontos de discórdia. Reykjavik quer manter o controle exclusivo, recusando-se a cumprir as quotas anuais estabelecidas por Bruxelas, que afirma estar disposta a encontrar "soluções criativas".
O resultado deve ser muito apertado, segundo a última pesquisa Gallup, que aponta 51,6% para o "não" e 48,4% para o "sim", uma pequena diferença que se encontra dentro da margem de erro.
"Está muito apertado, mas continuo otimista", disse à AFP a chanceler Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, uma ferrenha defensora da União Europeia.
As urnas abriram às 9h00 GMT (06h00 em Brasília) e fecharão às 22h00 GMT (19h00 BRT). Sem pesquisas de boca de urna disponíveis até o momento, os primeiros resultados confiáveis chegarão de madrugada.
Com a economia da Islândia em plena expansão, alguns eleitores não veem motivos para considerar a adesão à União Europeia, especialmente porque o país já tem acesso ao mercado único por meio de sua participação no Espaço Econômico Europeu (EEE).
"Não precisamos de Bruxelas para nos governar. Podemos nos virar sozinhos. Há apenas cem anos, éramos um dos países mais pobres da Europa; agora somos um dos mais prósperos", diz Elias Theodorsson, um empresário de 65 anos.
O outro lado dessa prosperidade é a inflação e as taxas de juros altíssimas.
Algumas famílias pagam taxas de juros de até 9% em seus financiamentos imobiliários, o que torna a perspectiva de ingressar na zona do euro, com suas taxas muito mais baixas, muito atraente.
"A diferença (nas taxas de juros) é enorme. Isso mudaria muita coisa para a minha família", diz Alexandra Yr van Erven, uma funcionária de universidade de 32 anos.
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