The Hong Kong Telegraph - Lula enfrenta Flávio Bolsonaro em sua última batalha eleitoral

Hong Kong -

NAS NOTíCIAS

Lula enfrenta Flávio Bolsonaro em sua última batalha eleitoral
Lula enfrenta Flávio Bolsonaro em sua última batalha eleitoral / foto: Sergio Lima - AFP

Lula enfrenta Flávio Bolsonaro em sua última batalha eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu rival Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam neste domingo (4) no primeiro turno das eleições presidenciais, que decidirão se o país permanece à esquerda ou se junta à onda de direita na região, impulsionada por Donald Trump.

Tamanho do texto:

As pesquisas dão uma ligeira vantagem a Lula, de 80 anos, sobre o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, de 45 anos.

A campanha tem mantido um tom menos beligerante do que o que caracterizou a disputa de 2022 entre Lula e Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado após perder por uma pequena margem naquela eleição.

No entanto, tem sido marcada por escândalos e acusações de corrupção que chegaram a envolver o próprio Flávio Bolsonaro.

Muitos brasileiros estão cansados de ver praticamente os mesmos atores na disputa — Lula busca um quarto mandato e os Bolsonaro disputam sua terceira eleição consecutiva — e estão cada vez mais desconfiados das instituições.

"Estou em dúvida ainda. Porque está muito escancarada a corrupção. Está até difícil", diz Joel da Silva, 42, porteiro no Rio de Janeiro que já votou nos dois candidatos em eleições passadas.

Lula e Flávio provavelmente terão que disputar cada voto dos quase 160 milhões de eleitores em um segundo turno em 25 de outubro, no qual aparecem em empate técnico.

- A sombra de Trump -

Lula ergueu a bandeira da soberania diante do que denunciou como intervencionismo de Donald Trump, após candidatos de direita apoiados pelo presidente americano vencerem as eleições presidenciais no Chile, Colômbia e Peru.

"O Brasil não cabe no quintal de ninguém", afirmou Lula na Assembleia Geral da ONU.

Até o momento, Trump não declarou apoio explícito ao filho de seu aliado Jair Bolsonaro, embora tenha recebido o senador este ano em uma reunião privada na Casa Branca.

Lula, que fez campanha usando o chapéu-panamá que veste desde o diagnóstico de câncer de pele, afirma estar em sua melhor forma.

Seu terceiro mandato não consecutivo termina com taxas de desemprego historicamente baixas, inflação controlada, mas também com uma economia em desaceleração e insegurança generalizada.

Na tentativa de desempatar nas pesquisas, ele fez acenos à classe trabalhadora: aumentou o financiamento do Bolsa Família e proibiu as apostas online chamadas "Bets", um flagelo que endivida milhões de brasileiros.

"O Lula, realmente, sem querer idolatrar, é um dos maiores presidentes que esse país já teve", diz Israel Gomes, 52, no hotel que administra em Brasília, diante de um retrato de um jovem Lula.

Mas o presidente nunca se livrou do rótulo de "ladrão" que a direita lhe atribuiu após sua condenação por corrupção em 2018, que o levou à prisão antes de ser anulada por questões processuais.

- Promessa de linha dura -

Flávio Bolsonaro foi indicado como candidato após seu pai, que governou com ataques persistentes às instituições, ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão.

Com um perfil discreto e pouco conhecido a nível nacional até recentemente, ele abraça prontamente seu status de filho de Jair, embora se apresente como uma versão mais moderada do pai.

Sua principal promessa: replicar a linha dura contra o crime adotada por Nayib Bukele, de El Salvador.

O alfaiate Elias Camisero, de 74 anos, votará nele para acabar com as facções criminosas que controlam os bairros operários das principais cidades brasileiras.

"Tem que acabar. Hoje, no Brasil, quem comanda é o crime organizado", disse à AFP em São Paulo.

Flávio Bolsonaro afirma que vai virar a página da "incompetência e corrupção" dos governos de Lula.

No entanto, ele próprio está sendo investigado por corrupção e lavagem de dinheiro na produção do filme "Dark Horse" sobre seu pai, parcialmente financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso no fraude no caso do Banco Master.

O senador admitiu ter pedido dinheiro a Vorcaro, mas nega qualquer irregularidade.

Vorcaro também teria mantido laços com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o que desencadeou uma crise sem precedentes no Supremo em plena campanha eleitoral.

"Tem um certo cansaço do eleitorado, que acha que todo mundo é corrupto", disse à AFP o professor Joscimar Silva, do Instituto de Ciências Políticas da Universidade Nacional de Brasília.

賴-X.Lài--THT-士蔑報