Líder da extrema direita francesa faz primeiro grande comício antes da eleição presidencial
A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, favorita nas pesquisas para as eleições presidenciais, fará neste domingo (25) seu primeiro grande comício, em um momento de fortes tensões sociais e econômicas.
O país sai de outro sábado de grande mobilização social, com manifestações contra o elevado custo de vida.
Centenas de milhares de pessoas voltaram a sair às ruas no sábado, em passeatas que transcorreram, em sua maioria, pacificamente, sob um dispositivo de segurança reforçado em comparação a 17 de outubro, quando atos de violência e saques foram registrados em várias cidades.
Neste domingo, o Ministério do Interior francês anunciou um balanço de 1.314 detidos e 75 intervenções por incêndios na véspera, além de 53 membros das forças de segurança feridos e 24 estabelecimentos comerciais saqueados.
Marine Le Pen lidera todas as pesquisas para suceder o atual presidente Emmanuel Macron, que não pode concorrer novamente. A candidata de ultradireita aparece muito à frente nas intenções de voto para o primeiro turno (com até 38%) e venceria os possíveis rivais no segundo turno.
O partido dela, Reagrupamento Nacional (RN), é beneficiado pela fragmentação do centro, além das dificuldades dos partidos tradicionais.
Seu principal adversário, o líder do partido de esquerda radical A França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, seria prejudicado por uma pequena transferência de votos caso avance para o segundo turno e sofreria uma derrota contundente, segundo as pesquisas.
No sábado, o RN se reuniu em congresso para votar a reeleição de seu presidente, Jordan Bardella, que se viu envolvido em uma polêmica por supostamente ter escrito mensagens antissemitas quando era jovem. Bardella nega, e, até o momento, o escândalo não parece frear o ímpeto do autoproclamado "primeiro partido da França".
- "Um pouco de otimismo" -
Neste domingo, a aspirante à presidência subirá ao palco para seu primeiro grande comício de campanha em Orléans (centro), em um espaço com capacidade para 10.000 pessoas.
"Vou tentar transmitir um pouco de otimismo", disse. Marine Le Pen afirma que não quer "endurecer o tom", e sim falar de "renascimento", em um contexto especialmente tenso.
A candidata do RN acusa o partido de Mélenchon de ter transformado em "refém" o movimento de protesto estudantil, surgido de um mal-estar nos estabelecimentos de Ensino Médio, para tentar "mergulhar o país no caos".
Seu rival, que voltou a participar da manifestação em Paris no sábado, atribui a responsabilidade pelos atos violentos à estratégia de manutenção da ordem e voltou a atacar as autoridades, instando Macron a "ceder".
"A batalha dos fatos está ganha", opina Marine Le Pen, convencida de ter "razão em tudo" há muito tempo.
Ela promete o endurecimento das medidas de segurança, o controle da imigração, a expulsão de estrangeiros e uma reforma da Constituição por meio de um referendo, entre outras coisas. Também não descarta travar uma disputa com a União Europeia.
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