Advogados de psicólogo e psiquiatra pedem absolvição deles em julgamento pela morte de Maradona
O julgamento pela morte de Diego Maradona entrou, nesta terça-feira (20), em sua reta final com o pedido de absolvição para um psicólogo e uma psiquiatra, cujos advogados sustentaram que as causas do falecimento do astro não tinham nexo com suas especialidades.
O ex-jogador morreu em regime de internação domiciliar, no dia 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, enquanto se recuperava de uma neurocirurgia.
O psicólogo especialista em dependências Carlos Díaz, a psiquiatra Agustina Cosachov e outros quatro profissionais de saúde enfrentam acusações de homicídio culposo, quando não há intenção, ou com dolo eventual. Este último implica que eles tinham consciência de que suas ações ou omissões poderiam levar à morte de Maradona.
"O resultado está relacionado a questões médicas que fogem ao seu controle", afirmou o advogado de Díaz, Diego Olmedo, perante o tribunal de San Isidro, ao norte de Buenos Aires.
Por sua vez, o advogado de defesa da psiquiatra, Vadim Mischanchuk, declarou que Cosachov não agiu com indiferença, pois, à medida que surgiam sinais de alerta nos dias que antecederam a morte do ídolo, ela "tomou providências para reverter a situação". Ele atribuiu a responsabilidade à empresa de assistência médica privada que, segundo ele, "dificultou" a internação.
Além disso, solicitou ao tribunal que, caso ela seja considerada culpada por homicídio culposo, não seja condenada à prisão, visto que "não possui antecedentes criminais e sempre esteve à disposição da justiça".
- Oito anos de prisão -
O Ministério Público pediu oito anos de prisão para Cosachov por homicídio com dolo eventual, por considerá-la uma das idealizadoras da internação na casa em Tigre, perto de San Isidro, onde o ex-jogador faleceu.
Em relação a Díaz, foi pedido uma pena de cinco anos por homicídio culposo, sob a alegação de que ele foi responsável pela fatídica internação domiciliar e por impedir que familiares visitassem o astro nos últimos dias de sua vida.
No entanto, o advogado de defesa Olmedo argumentou que a internação foi decidida sem a participação de Díaz e que restringir visitas é um procedimento comum em tratamentos de reabilitação — como o que Maradona, que sofria de dependência de álcool, estava passando.
O caso de Díaz é peculiar no julgamento, uma vez que as diferentes acusações não chegaram a um consenso sobre sua responsabilidade na morte de Maradona. Duas partes pediram sua absolvição, três defenderam uma condenação de cinco anos, e uma outra solicitou uma pena de 12 anos.
- "Ninguém a avisava de nada" -
Enquanto isso, Mischanchuk culpou a empresa de medicina privada por não informar corretamente Cosachov sobre os sinais de alerta apresentados pelo ex-jogador durante a internação.
"Ninguém a avisou sobre a taquicardia, sobre a hipertensão. Ninguém a avisava de nada. Ela obtinha as informações que podia, e lhe diziam o que queriam", afirmou Mischanchuk.
O advogado apontou para outra das acusadas: a coordenadora médica da internação pela Swiss Medical, Nancy Forlini, para quem o Ministério Público pediu uma pena de 10 anos.
Durante o julgamento, foi reproduzida uma mensagem de áudio de Forlini na qual ela proibia os enfermeiros que atendiam Maradona de se comunicarem com Cosachov, sob ameaça de demissão.
"Tudo ficava em um 'Triângulo das Bermudas'", explicou Mischanchuk, referindo-se às informações que vinham da residência onde 'El Diez' faleceu.
Além de Díaz e Forlini, outro acusado importante é o neurocirurgião Leopoldo Luque, amigo e médico pessoal de Maradona.
O Ministério Público também solicitou a absolvição de um sétimo acusado, o clínico geral Pedro Di Spagna, uma decisão que foi acompanhada por todas as partes acusadoras.
Após as alegações das defesas, que prosseguirão até quinta-feira, o tribunal anunciará seu veredito em uma data ainda a ser definida.
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